Tentei imaginar o infinito, eu estava olhando para o céu num fim de tarde qualquer. As nuvens passavam, o azul parecia não acabar, e minha cabeça simplesmente desistiu. O infinito não cabe. Ele escorre pelos cantos do pensamento.
No
cotidiano, a gente vive cercado de infinitos disfarçados. A fila do banco
quando estamos com pressa. As notificações que nunca acabam. A promessa
silenciosa de que amanhã vou começar “uma vida nova” — como se houvesse um
número ilimitado de versões minhas esperando na gaveta do tempo.
O
curioso é que o infinito não é apenas grande demais; ele é, sobretudo,
incômodo. Porque nos lembra que não controlamos o todo. Posso contar moedas,
passos, dias, mas não consigo contar possibilidades. Cada escolha que faço abre
um corredor invisível de escolhas que deixei de fazer. Um pequeno infinito
pessoal.
Na
matemática, o infinito é elegante. Na vida, ele é meio bagunçado. Está no amor
que promete “para sempre”, no luto que parece não terminar, no desejo que nunca
se satisfaz por completo. O infinito, no fundo, é a nossa incapacidade de
fechar a experiência com um ponto final.
Às
vezes penso que buscamos o infinito não por ambição, mas por medo. Medo de que
tudo acabe simples demais. Que sejamos apenas um parágrafo curto num livro
muito grosso.
O
filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos dizia que o infinito não é
algo que se alcança, mas algo que se pressente. E talvez seja isso: o infinito
não mora no espaço, mora na intuição. Ele aparece quando a gente percebe que a
realidade é maior do que nossas explicações.
No
café da manhã, quando a xícara acaba, o café acaba. Mas a conversa não. A
memória não. A saudade não. A pergunta “e se?” não. O infinito começa
justamente aí: onde as coisas visíveis terminam e as invisíveis continuam
trabalhando em silêncio.
No
fim das contas, talvez a ideia de infinidade não seja sobre o universo, mas
sobre nós. Sobre essa estranha certeza de que somos finitos — e, mesmo assim,
insistimos em pensar como se não fôssemos.
E
é nessa contradição que o infinito respira.


