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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Vozes Diferentes


As caminhadas pela manhã são diferenciadas, estou mais relaxado e com expectativas para as novidades do dia, as vozes que habitam minha mente estão mais calmas e atentas dando ouvidos ao mundo exterior, esperando o momento para entrarem em ação, elas são muitas. Há vozes que querem convencer. Outras só querem existir. Algumas explicam, outras confundem, e há aquelas que apenas acompanham — como se caminhassem ao nosso lado sem pedir nada.

A voz da infância ainda fala baixo dentro de nós, usando palavras simples. A da juventude fala rápido, como se o tempo estivesse sempre acabando. A da maturidade aprende a fazer silêncio entre uma frase e outra. E a do cansaço… essa não fala: suspira.

Também há vozes que não são nossas. A voz da cidade, feita de buzinas e anúncios. A voz da família, que ecoa mesmo quando ninguém está por perto. A voz da internet, que fala em coro. E, no meio de todas elas, tentamos reconhecer qual ainda nos pertence.

As vozes diferentes não brigam apenas entre si — elas disputam a nossa atenção. Uma pede coragem. Outra pede prudência. Uma diz “vai”. A outra diz “espera”. E quase nunca concordam.

Fernando Pessoa escreveu que “viver é ser outro”. Talvez por isso sejamos um pequeno coral ambulante, afinado e desafinado ao mesmo tempo, tentando transformar ruído em melodia.

No cotidiano, aprender a viver não é escolher uma única voz. É aprender quando cada uma deve ser escutada.

Porque algumas vozes nos empurram. Outras nos protegem. E algumas só existem para lembrar que ainda estamos vivos.

sábado, 8 de novembro de 2025

Movimento é Vida


Não estamos vivos quando estamos parados. Estamos vivos quando algo se move: o coração, o sangue, os olhos, os pensamentos. Até a saudade se move dentro da gente. O corpo pode estar sentado, mas se o pensamento viaja, estamos em movimento.

Na rotina, o movimento é o que distingue os dias. Uma caminhada até a padaria, uma mudança de humor, uma mudança de opinião — tudo isso é movimento. Há quem tenha medo de mudar, mas mesmo parado, o mundo se move. E quem resiste demais ao movimento corre o risco de endurecer por dentro. Eu gosto de fazer tarefas de idas a rua, ir ao mundo, viajar, gosto de me movimentar.

Heráclito diria que não se entra duas vezes no mesmo rio. Parmênides, por outro lado, talvez retrucasse que o rio nem sequer muda — o que é, é; e o que muda, não é. E entre esses dois extremos, vivemos nós, seres que sentimos tudo mudar o tempo todo, mas que, ao mesmo tempo, procuramos alguma permanência.

Heráclito via a realidade como um fluxo contínuo. Tudo escorre, tudo se transforma. Viver, para ele, é estar em movimento. Já Parmênides via o movimento como ilusão: se algo muda, deixa de ser aquilo que era, e portanto, não é mais. Para ele, a verdade está na imobilidade do ser.

Mas o cotidiano nos oferece uma síntese silenciosa desses dois: sentimos o tempo passar, mas mantemos lembranças; mudamos de opinião, mas guardamos uma identidade; crescemos, mas ainda somos. A vida é movimento, sim — mas um movimento com traços de permanência. Um rosto que envelhece ainda guarda o brilho do olhar da infância. Uma rua antiga muda de nome, mas continua sendo "a rua da minha avó".

Nietzsche dizia que devemos viver como dançarinos, com leveza e ritmo. E a dança, claro, é movimento — com consciência, com entrega. Não é à toa que, quando tristes, procuramos movimento: mudamos os móveis, saímos de casa, trocamos de roupa, ouvimos música. Mover-se é resistir ao fim.

Movimento é vida, mas talvez seja ainda mais: é a vida tentando permanecer sendo ela mesma enquanto muda. E isso, por si só, é maravilhoso.