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segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Acaso Ensina


Há dias em que tudo parece dar errado — o ônibus atrasado, o e-mail que não chega, a chuva no momento exato em que esquecemos o guarda-chuva. E, de repente, no meio do imprevisto, algo inesperado acontece: um encontro, uma pausa necessária, uma ideia nova. É como se o acaso tivesse uma sabedoria que nós não temos. Hoje foi assim, surpresas pelo caminho.

A vida, quando controlada demais, perde espaço para a surpresa. Tentamos organizar o destino como quem arruma a mesa, mas o tempo sempre move alguma peça sem pedir licença. O acaso nos desorganiza para nos lembrar de que o controle é uma ilusão confortável.

No cotidiano, ele surge disfarçado de contratempo: um erro que vira aprendizado, uma perda que abre espaço para um ganho, uma coincidência que muda um caminho inteiro. Se estivermos atentos, percebemos que o inesperado muitas vezes age a nosso favor — mesmo quando dói.

Nietzsche chamava isso de amor fati — amar o destino, aceitar o que vem como parte da dança da vida. O acaso ensina justamente isso: não lutar contra o que não entendemos, mas aprender com o que chega. Cada imprevisto é um convite à flexibilidade e à confiança.

No fim, talvez a sorte seja apenas o nome que damos aos acasos que compreendemos tarde demais.


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