Há
dias em que tudo parece dar errado — o ônibus atrasado, o e-mail que não chega,
a chuva no momento exato em que esquecemos o guarda-chuva. E, de repente, no
meio do imprevisto, algo inesperado acontece: um encontro, uma pausa necessária,
uma ideia nova. É como se o acaso tivesse uma sabedoria que nós não temos. Hoje
foi assim, surpresas pelo caminho.
A
vida, quando controlada demais, perde espaço para a surpresa. Tentamos
organizar o destino como quem arruma a mesa, mas o tempo sempre move alguma
peça sem pedir licença. O acaso nos desorganiza para nos lembrar de que o
controle é uma ilusão confortável.
No
cotidiano, ele surge disfarçado de contratempo: um erro que vira aprendizado,
uma perda que abre espaço para um ganho, uma coincidência que muda um caminho
inteiro. Se estivermos atentos, percebemos que o inesperado muitas vezes age a
nosso favor — mesmo quando dói.
Nietzsche
chamava isso de amor fati — amar o destino, aceitar o que vem como parte
da dança da vida. O acaso ensina justamente isso: não lutar contra o que não
entendemos, mas aprender com o que chega. Cada imprevisto é um convite à
flexibilidade e à confiança.
No
fim, talvez a sorte seja apenas o nome que damos aos acasos que compreendemos
tarde demais.
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