Outro
dia, no trânsito, um motorista parou para deixar uma senhora atravessar a rua.
Nada grandioso: apenas um gesto simples, rápido, quase invisível. Mas reparei
que o rosto dela mudou — um pequeno sorriso, um alívio. A gentileza, mesmo
silenciosa, altera o ar ao redor. Já aconteceu comigo, procuro sempre
retribuir, há alegria para quem dá e quem recebe a gentileza, vivemos em via de
duas mãos!
Vivemos
em um tempo em que se fala muito e se escuta pouco. As pessoas se atropelam,
tanto nas ruas quanto nas conversas. E é por isso que a gentileza, quando
aparece, parece quase revolucionária. Ela não precisa de aplausos; basta
existir.
O
curioso é que a gentileza verdadeira não é performática. Ela acontece quando
ninguém está vendo. É quando alguém recolhe o copo do outro, quando se escuta
com atenção, quando se responde com calma mesmo tendo razão para perder a
paciência. São atos pequenos, mas que sustentam a delicadeza da convivência.
A
bondade não é um gesto isolado — é um modo de ser. Ela se revela no olhar, na
postura, no cuidado quase invisível. E talvez por isso tanta gente a perceba
sem saber explicar: há algo luminoso em quem é gentil, uma serenidade que
atravessa o tempo e o espaço.
O
educador e pensador Rubem Alves dizia que “a delicadeza é a forma mais
inteligente da força”. E é verdade: ser gentil num mundo apressado é um ato de
coragem. É dizer, sem palavras, que o outro importa — e que o humano ainda
resiste, mesmo nas esquinas do cotidiano.
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