Vivemos a era da pressa. O tempo virou mercadoria, e a ociosidade, pecado. Mas há uma diferença enorme entre usar o tempo e ser usado por ele.
Fazer
muito não é o mesmo que viver bem. O tempo produtivo é aquele que produz
sentido — e isso nem sempre cabe em planilhas. Às vezes, uma tarde de silêncio
rende mais do que uma semana de correria.
Tempo
produtivo nem sempre é aquele cheio de tarefas riscadas na agenda, mas o que
realmente nos nutre. Outro dia, desliguei o celular por uma hora e fui caminhar
sem rumo, apenas observando o movimento da rua, o cheiro do pão saindo da
padaria, o sol se inclinando devagar. No início, me senti culpado por “não
estar fazendo nada”, mas logo percebi que aquele intervalo me devolvia clareza
e ânimo — coisas que nenhuma planilha teria oferecido. Percebi que
produtividade não é empilhar ações, e sim dar sentido ao tempo. Às vezes, o
momento mais produtivo do dia é justamente aquele em que paramos para respirar.
Sêneca,
em Da Brevidade da Vida, escreveu: “Não é que tenhamos pouco tempo, mas
o perdemos demais.” E ele estava certo. O problema não é o tempo que temos, é o
quanto deixamos de estar presentes nele.
No
fim, o tempo não precisa render. Precisa apenas valer.

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