Reflexões sobre a educação nos dias atuais
Estou
passando por aqui para refletirmos, de antemão digo que não se trata de dar
razão para um ou para outro. Lembro que nos últimos meses, o Brasil tem
assistido a episódios que reacendem um debate fundamental sobre o papel da
educação. Estas são noticias que chegaram a nossos ouvidos através da mídia.
Em
Santa Catarina, obras clássicas como Laranja Mecânica e It: A Coisa, dentre
outra dezena foram removidas das escolas públicas, numa ação de governo que
muitos apontam como censura literária.
Site
consultado 04/08/2025: (https://www.cnnbrasil.com.br/politica/sem-justificar-governo-de-sc-retira-9-livros-das-escolas-publicas/)
Em
Minas Gerais, denúncias surgiram de tentativas do poder público de impedir
manifestações estudantis e professorais, sob o argumento de “preservar a imagem
da escola”. Enquanto isso, uma nova lei federal proibiu o uso de celulares nas
salas e corredores escolares.
Site
consultado 04/08/2025: (https://www.brasildefato.com.br/2025/05/13/ato-em-bh-denuncia-aumento-da-violencia-nas-escolas-e-tentativa-de-censura-do-governo-zema/)
E
o Supremo Tribunal Federal decidiu responsabilizar plataformas digitais pela
circulação de discursos de ódio — medida vista por uns como necessária, por
outros como potencialmente limitadora da liberdade de expressão. Em comum,
todos esses casos apontam para um cenário em que o controle sobre o saber, a
fala e o pensamento volta a rondar o espaço educativo.
Sites
Consultados em 04/08/2025:
Nesse
contexto, nossas reflexões nos leva a pensar, a educação se encontra num dilema
profundo: formar sujeitos obedientes ou formar sujeitos pensantes. As paredes
da escola, antes vistas como abrigo do saber, hoje muitas vezes parecem muros
que protegem um modelo de ensino voltado à repetição e à obediência. Mas é
possível educar sem sufocar o pensamento livre?
O
filósofo Immanuel Kant já dizia que a maioridade do ser humano se dá
quando ele é capaz de pensar por si mesmo. Isso exige coragem. Mas quem educa,
muitas vezes, prefere o conforto de uma disciplina silenciosa à inquietação das
perguntas. Afinal, um aluno crítico desafia, pergunta, cria — e, ao fazer isso,
coloca em risco as certezas de quem ensina.
Paulo
Freire, educador brasileiro, denunciava a chamada “educação
bancária”, aquela em que o professor deposita conteúdo no aluno, como se este
fosse um cofre vazio. Para Freire, a educação deve ser um ato de libertação,
onde o aluno é sujeito do próprio aprendizado, e não objeto da vontade do
sistema.
Na
lógica atual, no entanto, educa-se muitas vezes para a conformidade: seguir
regras, entregar tarefas, obter notas, competir. Pensar virou obstáculo, e não
meta. Não é raro encontrar jovens inteligentes que têm medo de errar, medo de
se expressar, medo de não se encaixar. A educação que forma para o mercado
também forma para o silêncio.
Michel
Foucault já alertava: onde há educação, há também um jogo de
poder. A escola não é neutra. Ela organiza os corpos, os horários, os
comportamentos. Mas poderia organizar também a escuta, o debate, a dúvida. Uma
escola que ensina a duvidar pode parecer perigosa — e de fato é. Perigosa para
os que lucram com a ignorância.
O
que dizer: Aos professores, esse momento exige mais do que
conteúdo: exige postura ética e escuta ativa. O desafio não está apenas em
cumprir currículo, mas em criar espaço para a autonomia dos alunos. Ser
educador hoje é um ato político, mesmo sem bandeira: é decidir se se quer manter
o mundo como está ou formar quem possa reinventá-lo.
O
que dizer: Aos alunos, pensar por si mesmos é o primeiro gesto
de liberdade. É possível — e necessário — errar, discordar, perguntar. Não é
falta de inteligência mudar de ideia: é sinal de que a mente está viva. O
pensamento livre começa quando você deixa de repetir e começa a compreender.
O
que dizer: Aos pais, a escola não deve ser apenas um meio de
ascensão social, mas um ambiente de formação humana. Cobrar notas é justo, mas
é ainda mais importante perguntar: "O que você pensa sobre isso?"
Quando o lar valoriza o pensamento, a escola encontra terreno fértil para
florescer.
O
que dizer: Aos gestores, a liberdade de pensamento precisa
estar na base dos projetos pedagógicos. Isso não se resolve com slogans, mas
com práticas cotidianas que respeitem a diversidade, que acolham a escuta e que
permitam que o saber não seja um produto, mas uma experiência. Uma escola
crítica é aquela que ousa refletir sobre si mesma.
Pensar
por si mesmo não é fácil. Mas é o que dá dignidade ao ser humano. Uma educação
verdadeiramente libertadora não prepara apenas para o vestibular ou para o
emprego: prepara para a vida comum, para o encontro com o outro, para o
exercício da liberdade. E liberdade, como já sabiam os antigos gregos, é o
fundamento da polis — a cidade de todos.
Educar
para o pensamento livre é, portanto, uma urgência. Porque conformar é mais
rápido, mais barato e mais útil. Mas pensar é mais humano. E o humano é o que a
escola não pode esquecer de formar. Somos todos responsáveis de um jeito ou de
outro, nós nos encaixamos em algum papel, ou seja, não somos apenas
expectadores, somos atores deste grande teatro trágico, cômico, drama,
tragicomédia, farsa, melodrama, teatro do absurdo e auto chamado Planeta Terra.