Pensar é se perder com estilo
Tem
dias em que a gente acorda querendo resolver a vida. Outros, a gente só quer
deixar a mente andar sozinha, sem direção certa, como quem sai para caminhar
sem destino. É nesses momentos que surgem as divagações — esses pensamentos
soltos, meio vagos, que não parecem levar a lugar algum, mas de alguma forma
mudam alguma coisa dentro da gente.
A
divagação não serve pra nada — e talvez por isso mesmo seja tão necessária. Num
mundo que exige produtividade até do nosso tempo mental, pensar sem objetivo
virou quase um ato de rebeldia. Pensar apenas por pensar. Pensar como quem anda
à toa e tropeça numa ideia.
Muitas
vezes, o que nasce desses desvios vale mais do que as rotas diretas. Nietzsche,
por exemplo, escrevia caminhando. E não caminhava em linha reta — ia para os
Alpes, para as pedras, para os pensamentos tortos. Ele acreditava que o corpo
pensava junto, e que as grandes ideias vinham no ritmo dos passos errantes.
Para ele, o pensamento vivo era aquele que se deixava levar — um pensamento com
pernas, não de gabinete.
Divagar
é, portanto, permitir que o pensamento se canse das fórmulas e das opiniões
prontas. É deixar que ele se contamine com o acaso, com a memória, com o afeto.
Uma lembrança puxa uma dúvida, que puxa um cheiro, que puxa uma saudade. E
quando vemos, estamos diante de perguntas que não sabíamos que tínhamos.
No
fundo, quem divaga se arrisca a se perder — e só quem se perde tem chance real
de se encontrar de outro jeito. Divagar é perder tempo com dignidade. É dar à
mente o que damos ao corpo nas férias: uma chance de descansar dos trilhos.
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