Dezembro
sempre chega como quem abre a porta devagar, deixando entrar um vento que não é
só de verão — é um vento de balanço. Um mês que parece ter memória própria, que
nos chama para aquele tipo de reflexão que só aparece quando o ano começa a se
despedir.
É
curioso como, nas festas de final de ano, todo mundo tenta colocar a vida em
ordem: arrumamos a casa, repensamos escolhas, revisitamos arrependimentos como
quem folheia um álbum antigo. É quase um ritual filosófico, ainda que ninguém
admita. A gente percebe que o tempo não corre — ele nos atravessa. E dezembro é
o lembrete final, quase pedagógico, de que tudo muda, até aquilo que jurávamos
eterno.
Nessas
semanas, as luzes piscam nas ruas como se quisessem imitar o que sentimos por
dentro: um misto de esperança, saudade e esse desejo meio secreto de recomeçar
direito. Talvez seja isso que faz dezembro tão único: ele nos coloca diante do
que fomos, mas também nos empurra para o que ainda podemos ser.
E,
no fundo, há uma sabedoria simples escondida nesse mês: a de que celebrar não é
esquecer a dureza do caminho, mas reconhecer que seguimos caminhando. Que
apesar dos tropeços, chegamos até aqui. E que, por um instante, é permitido
respirar, abraçar, agradecer — e sonhar de novo.
Dezembro
não é só o fim. É o intervalo em que o espírito encontra um lugar para se
ajeitar antes de começar outra jornada. E isso, por si só, já é filosofia
suficiente para encerrar o ano com o coração um pouco mais inteiro.

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