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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Sem Espetáculo

O Autoconhecimento

Vivemos um tempo em que quase tudo pede palco. Emoções, opiniões, processos internos — tudo parece precisar ser mostrado, validado, curtido. O autoconhecimento, porém, nasce no sentido oposto. Ele acontece melhor longe do aplauso.

Conhecer a si mesmo não é produzir uma versão interessante de quem somos, mas suportar a convivência com aquilo que não rende narrativa: contradições, silêncios, repetições. Há partes de nós que só aparecem quando não estamos tentando explicá-las a ninguém.

No cotidiano isso é simples e difícil ao mesmo tempo. É perceber que certa irritação não é “personalidade forte”, mas cansaço acumulado. Que uma convicção defendida com paixão talvez seja só medo de perder o chão. Que nem todo sofrimento precisa virar testemunho público para ser legítimo.

O espetáculo exige coerência e progresso visível. O autoconhecimento real aceita zonas cinzentas, recaídas e intervalos longos de aparente estagnação. Ele não se mede por frases prontas, mas pela mudança quase imperceptível no modo de reagir: falar um pouco menos, ouvir um pouco mais, adiar um julgamento.

Há uma sabedoria antiga nisso. Como diria Heráclito, a natureza gosta de esconder-se. O mesmo vale para a natureza humana. Aquilo que realmente nos transforma costuma agir em silêncio, como uma água que escava a pedra sem anunciar o feito.

Autoconhecimento sem espetáculo é, no fundo, um pacto de discrição consigo mesmo. Não é ausência de profundidade — é respeito pelo que ainda está em formação. E talvez seja justamente aí, onde nada precisa ser mostrado, que começamos a nos reconhecer de verdade.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Pensar em Três Tempos

Sentado num banco de praça ou vendo o tempo passar da janela de um ônibus, às vezes a gente se pega pensando: como é que a humanidade chegou até aqui? De deuses com raios nas mãos a foguetes em Marte, tem um salto curioso. Essa inquietação foi também a de Auguste Comte, no século XIX. Ele não estava na praça nem no ônibus, mas olhava o mundo com olhos de quem queria encontrar uma lógica no caos da história do pensamento humano.

Comte propôs uma ideia ousada: a mente humana evolui em três grandes estágios. Quase como se a cabeça da humanidade fosse uma criança, depois adolescente, e então adulta. Mas será mesmo que crescemos tanto assim?

A teoria: os três degraus da escada comtiana

Para Comte, a humanidade atravessa três fases, tanto no plano coletivo quanto individual:

  1. Estágio Teológico – Aqui, o mundo é explicado por vontades sobrenaturais. Um raio cai? Foi Zeus. A chuva demora? É porque os deuses estão zangados. É o tempo da fé e da personalização da natureza.
  2. Estágio Metafísico – Agora os deuses saem de cena, mas não completamente. Eles são substituídos por forças abstratas, como “natureza”, “vontade universal” ou “essência”. Já é um pensamento mais racional, mas ainda não científico.
  3. Estágio Positivo – O auge, segundo Comte. A mente humana finalmente para de buscar causas ocultas e passa a estudar as leis dos fenômenos com base em observação, experimentação e método científico. Nada de “por que”, agora só se pergunta “como funciona?”.

Comte acreditava que só no estágio positivo poderíamos construir uma sociedade verdadeiramente racional, guiada pela ciência e pela ordem. Uma espécie de tecnocracia iluminada, com cientistas e engenheiros como novos sacerdotes do saber.

As rachaduras da escada: críticas à teoria

Mas nem todo mundo subiu essa escada com gosto. Muitos pensadores apontaram que, apesar de elegante, a teoria de Comte tem furos na parede da realidade.

 1. A ilusão do progresso linear

Crítico: Michel Foucault

A ideia de que todos os povos caminham exatamente pelos mesmos degraus ignora a pluralidade das culturas e histórias. Foucault mostrou que o saber não evolui de forma linear, mas se reorganiza por rupturas, descontinuidades e relações de poder. A noção de “progresso inevitável” é uma construção do Ocidente moderno, que impõe sua visão como universal.

 2. O cientificismo como nova religião

Crítico: Friedrich Nietzsche

Comte acreditava tanto na ciência que propôs uma espécie de “Religião da Humanidade”. Nietzsche viu nisso uma substituição de deuses por ídolos modernos: a ciência vira fé, e o “homem racional” vira sacerdote. Para ele, esse tipo de racionalismo é uma forma disfarçada de niilismo — uma tentativa desesperada de dar sentido à existência sem encarar seu vazio trágico.

 3. A ciência não é neutra nem perfeita

Crítico: Thomas Kuhn

Em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas, Kuhn mostrou que a ciência não avança de forma contínua e neutra, mas por meio de rupturas paradigmáticas, disputas internas e influências sociais. A crença comtiana na objetividade pura da ciência foi duramente abalada. A ciência também erra, é política e está sujeita a modas intelectuais.

 4. As três fases não se excluem

Crítico: Clifford Geertz

Geertz, antropólogo interpretativo, mostrou que o pensamento simbólico, religioso e metafísico continua presente mesmo em sociedades tecnologicamente avançadas. Culturas não substituem uma lógica por outra: elas combinam e reinterpretam ideias diversas. Isso derruba a ideia de uma evolução em linha reta. Na vida real, carregamos todos os estágios ao mesmo tempo.

A força e o perigo das classificações

No fundo, a teoria de Comte é uma tentativa de organizar a história da mente humana em uma linha reta, clara, sem desvios. Isso ajuda a pensar, mas pode enganar. A realidade é mais feita de círculos, espirais, voltas e retornos do que de linhas retas.

As ideias de Comte ajudaram a consolidar a sociologia como campo científico — e isso é um mérito imenso. Mas sua teoria, quando tomada como verdade absoluta, escorrega no autoritarismo da razão. Como se quem ainda pensa com os pés no mito ou no mistério fosse um ser inferior, um atraso.

Epílogo: talvez estejamos nos três estágios ao mesmo tempo

Hoje, podemos usar um aplicativo com inteligência artificial e depois fazer uma oração antes de dormir. Estudar física quântica e ainda assim buscar um sentido espiritual para a vida. Talvez o ser humano não “evolua” de forma limpa, mas misture tudo, como quem carrega nas costas a infância, a adolescência e a maturidade — todas juntas, no mesmo corpo, no mesmo tempo.

E quem sabe seja justamente essa contradição que nos torna... humanos.


quinta-feira, 5 de junho de 2025

Hipermodernismo

O mundo em alta velocidade

Vivemos tempos em que tudo parece urgente. As mensagens chegam com notificações sonoras, os prazos encurtam, e até o lazer vira tarefa com cronograma. É como se o mundo tivesse engatado a quinta marcha e esquecido o freio. Esse ritmo acelerado, saturado de informação, consumo e autocentramento é o que alguns pensadores chamam de hipermodernismo.

O termo foi popularizado pelo sociólogo francês Gilles Lipovetsky, especialmente em sua obra "Os tempos hipermodernos" (2004), onde ele afirma que não saímos da modernidade – apenas a aceleramos. Se a modernidade prometia progresso e razão, o hipermodernismo vive o excesso dessas promessas. É a modernidade no turbo.

No dia a dia, sentimos isso quando abrimos um aplicativo de delivery e nos deparamos com centenas de opções de comida — e mesmo assim ficamos indecisos. Ou quando estamos numa reunião virtual, respondendo e-mails e planejando o fim de semana, tudo ao mesmo tempo. É a era do multitarefa emocional e da ansiedade de escolha.

No hipermodernismo, o indivíduo é rei e prisioneiro. Valorizamos a autonomia, mas estamos sobrecarregados de decisões. Queremos autenticidade, mas somos constantemente moldados por algoritmos. O corpo virou projeto, o tempo virou investimento e a vida virou performance. É um tempo de liberdade individual máxima — e, paradoxalmente, de fragilidade emocional crescente.

Lipovetsky comenta que vivemos entre o prazer e o medo: queremos aproveitar a vida intensamente, mas somos constantemente lembrados dos riscos — das pandemias às mudanças climáticas. Por isso, há um culto à saúde, à segurança, à prevenção. O hipermoderno vive como se fosse morrer amanhã, mas faz planos de previdência para 40 anos.

Na prática, vemos isso na obsessão por bem-estar, autocuidado e produtividade. Não se trata mais apenas de "viver bem", mas de otimizar a existência.

O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han também alerta sobre essa era do desempenho, onde a liberdade se transforma em autoexploração. “A sociedade do desempenho é uma sociedade de cansaço”, diz ele. E talvez seja essa a grande armadilha do hipermodernismo: correr tanto para chegar a lugar nenhum.

Vamos a exemplos do hipermodernismo no cotidiano

Para entender melhor como o hipermodernismo atua, podemos observá-lo em áreas específicas da vida: arte, educação, trabalho e amor.

1. Arte: da contemplação à hiperexposição

Na arte hipermoderna, muitas vezes o valor não está mais na obra em si, mas em quantas curtidas ela recebe ou na sua capacidade de viralizar. Museus viraram cenários de selfies. Exposições são organizadas já pensando na estética do Instagram. A experiência artística se transforma em espetáculo visual instantâneo — rápida, compartilhável, fotogênica.

Um exemplo claro são as chamadas “exposições imersivas”, como as de Van Gogh ou Monet: elas priorizam o impacto sensorial e o consumo rápido da arte, muitas vezes mais do que o contato reflexivo com a obra original.

2. Educação: aprender para quê?

A escola hipermoderna lida com alunos que têm acesso a tudo e, ao mesmo tempo, estão perdidos no excesso. Querem saber "pra que serve isso", mas muitas vezes estão mais interessados em hacks, resumos ou inteligência artificial do que no processo do saber. O conhecimento, nesse cenário, vira produto e não jornada.

Professores se veem pressionados a entreter, competir com telas e adaptar o conteúdo para caber em vídeos curtos. O problema? O pensamento crítico e profundo precisa de tempo, pausa e silêncio — elementos escassos na lógica hipermoderna.

3. Trabalho: 24h on-line

O trabalho invadiu a casa. A linha entre "vida pessoal" e "vida profissional" se dissolveu no home office. Mesmo fora do expediente, as pessoas continuam acessíveis, respondendo mensagens, “aproveitando o tempo” para adiantar tarefas.

O culto à produtividade se manifesta em aplicativos de metas, reuniões sem fim, cursos de alta performance e métricas de rendimento. O que era apenas trabalho virou projeto de vida — e muitas vezes, fonte de culpa: nunca é o suficiente, sempre dá para melhorar.

4. Amor: o consumo do outro

No campo afetivo, o hipermodernismo se mostra em relações líquidas, como diria Zygmunt Bauman, mas agora aceleradas por aplicativos de relacionamento. Há uma sensação de infinita possibilidade, mas também uma incapacidade de investir em profundidade.

As pessoas deslizam para o lado como quem escolhe uma pizza: por imagem, por gosto imediato, descartando o que não agrada num segundo. O outro se torna um espelho — e muitas vezes um produto — do nosso desejo de reconhecimento.

E agora?

Diante desse panorama, não se trata de rejeitar a modernidade, mas de frear um pouco — ou pelo menos criar zonas de silêncio, de presença, de pausa. Um café com um amigo, uma tarde offline, uma conversa sem objetivos. Pequenos gestos que podem parecer anacrônicos, mas que nos devolvem o que o hipermodernismo tenta nos tomar: tempo e presença.

Como diz o escritor italiano Franco “Bifo” Berardi, “a lentidão é o novo luxo”. E talvez, em tempos de hipermodernismo, viver devagar seja um ato revolucionário.

Agora vamos as consequências psicológicas do hipermodernismo — e o que pensadores e terapeutas estão propondo como caminhos possíveis.

As feridas silenciosas do hipermoderno

Viver num mundo de excesso, velocidade e visibilidade traz consequências. Por fora, tudo parece bem — produtividade alta, corpo em forma, redes sociais ativas. Mas por dentro, muitos enfrentam um cansaço invisível, uma exaustão que não tem nome exato, mas que se manifesta em forma de ansiedade, insônia, sensação de vazio ou falta de sentido.

1. Ansiedade e o medo de ficar para trás

Nunca tivemos tanta liberdade para ser quem quisermos. Mas essa liberdade vira cobrança: "o que você está fazendo da sua vida?", "por que ainda não empreendeu?", "por que você ainda não se encontrou?".

O resultado é um estado constante de comparação, de sensação de insuficiência. Tudo parece urgente e insuficiente ao mesmo tempo. Você pode estar bem, mas alguém sempre está melhor. E nas redes, todos parecem felizes — menos você.

2. Burnout como epidemia emocional

No hipermodernismo, até o descanso precisa ter função: a meditação deve aumentar seu foco, a caminhada precisa queimar calorias, e o tempo livre tem que ser “bem aproveitado”. Assim, o descanso verdadeiro — aquele sem meta, sem controle, sem finalidade — se torna raro.

O burnout, antes restrito a profissões de alta pressão, agora aparece em estudantes, donas de casa, influenciadores digitais e aposentados. Não é só o corpo que cansa — é a alma.

Byung-Chul Han chama isso de “violência neuronal”: a mente deixa de ser oásis para virar campo de batalha.

3. O eu como projeto infinito

A promessa do hipermodernismo é: você pode ser qualquer coisa. Mas o preço é: você deve ser tudo. O corpo deve estar em forma, a mente em equilíbrio, a carreira em ascensão, a vida social ativa, e o feed do Instagram bonito.

O sujeito hipermoderno vive num projeto infinito de si mesmo — sem fim, sem pausa, sem sossego. E o medo de falhar se mistura com o medo de não ser visto.

E as saídas?

Alguns pensadores sugerem caminhos que não passam por largar tudo e viver no mato (apesar de, às vezes, dar vontade).

1. Reencantar a rotina

O filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella costuma dizer que é preciso dar sentido ao cotidiano, não buscar sentido fora dele. Isso significa resgatar o valor das pequenas coisas: um café tranquilo, uma conversa com os filhos, um banho demorado. Redescobrir o valor da lentidão.

2. Criar zonas de invisibilidade

A psicóloga e filósofa Eva Illouz fala da tirania da exposição. Uma resposta possível é deliberadamente escolher momentos de invisibilidade. Não postar. Não responder. Desligar. Não porque você está ausente, mas porque está presente — no que realmente importa.

3. Cultivar vínculos profundos

Na lógica hipermoderna, relações são substituíveis. Mas o que nos sustenta, no fim, são os vínculos profundos — aqueles que resistem ao tempo, às falhas e às fases ruins. Cultivar amizade, parceria e escuta talvez seja mais urgente do que qualquer outro investimento.

Concluindo: O hipermodernismo não é um erro. Ele é uma consequência de um mundo que deu certo demais em algumas áreas — tecnologia, liberdade, consumo — mas perdeu o eixo do cuidado, da pausa e do sentido.

Como toda época, a nossa também pode ser repensada. E talvez, mais do que resistir, o caminho seja reeducar o olhar. Aprender a dizer "não", a estar offline, a não performar. A ser, e não só parecer.

Como escreveu o poeta Manoel de Barros:

“O que sustenta o ser não é o muito, é o pouco.

O quase nada.

O invisível.”


sábado, 12 de abril de 2025

Amanhã Como Ontem

Um ensaio sobre a fidelidade ao tempo antigo em tempos de ditadura do novo, sabem como é, coisas da nostalgia...

Tem gente que acorda todos os dias querendo o mesmo café, no mesmo copo, na mesma cadeira da cozinha, com o mesmo silêncio das sete e meia da manhã. E não é por preguiça, tampouco por falta de criatividade. É por devoção. Por fidelidade. Por acreditar que aquilo que foi bom não precisa ser enterrado só porque alguém inventou um aplicativo novo.

Vivemos na era da “ditadura do progresso” — um regime disfarçado de inovação, que impõe a constante necessidade de mudar, atualizar, melhorar, superar. As palavras “antigo”, “velho” e “repetido” tornaram-se quase palavrões no vocabulário moderno. E, no entanto, há quem resista. Há quem sustente que o amanhã pode — e deve — ser como o ontem. Que a repetição não é atraso, mas ritual. Que manter algo como está não é preguiça de pensar, mas uma forma sofisticada de pensar com o coração.

Contra o culto do novo

A modernidade vende uma ideia perigosa: a de que tudo o que é novo é melhor. Como se o simples fato de algo ter vindo depois já o tornasse superior. Mas o que é esse novo que todos perseguem com tanto fervor? Muitas vezes, nada mais que uma variação cosmética do que já existe. Um amanhã ansioso, que não tem tempo de amadurecer porque já quer ser substituído por um próximo amanhã ainda mais “eficiente”.

Quem resiste a isso, quem deseja um amanhã com o cheiro do pão de ontem, é visto como anacrônico. Mas talvez seja apenas alguém que não se ilude. Alguém que, ao invés de correr atrás do tempo como quem persegue um trem desgovernado, escolhe caminhar lado a lado com ele, com passo firme e memória viva.

O valor do eterno retorno

Nietzsche falava do “eterno retorno”, não como uma maldição, mas como um teste de força interior. Seria você capaz de viver a mesma vida, com as mesmas dores e as mesmas alegrias, repetidamente? Muitos recuam diante da ideia. Mas há um tipo de alma — talvez mais sábia, talvez mais amorosa — que responde: sim, eu viveria. Porque o que me aconteceu não foi pouco, não foi banal. Foi verdadeiro.

Para essas pessoas, repetir não é estar preso: é estar em aliança com o que importa. É confiar que certos gestos, mesmo que repetidos mil vezes, não perdem valor. O beijo na testa do filho. A oração da avó. O mesmo caminho até o trabalho com o sol nas costas. Esses momentos não envelhecem — eles se consolidam.

No bairro os domingos são quase imóveis. Cheiro de churrasco, rádio FM no fundo. Ali, ninguém corre. Ninguém quer mudar nada. E quando alguém novo chega, querendo agitar, alguém sempre diz: “Calma. Aqui o tempo é outro.” Não é atraso — é escolha. O amanhã ali já tem dono: é o mesmo de ontem, e ninguém quer despejá-lo.

A fidelidade ao que já foi

Há uma beleza teimosa em manter certas coisas como estão. Cuidar da casa da infância. Usar o mesmo perfume do primeiro encontro. Contar histórias antigas com as mesmas palavras. Trata-se de uma fidelidade rara: não à novidade, mas ao que já mostrou ser digno de permanecer. É quase um ato político — dizer não ao descarte fácil, ao modismo, à velocidade que esmaga o significado.

Como bem dizia o filósofo brasileiro Vicente Ferreira da Silva, a verdadeira tradição não é repetir por repetir, mas manter viva uma centelha que merece atravessar os tempos. O amanhã como ontem não é nostalgia, é compromisso. Não é regressão, é continuidade.

Finalizando com um toque de silêncio

O progresso grita, mas há quem escute o sussurro do tempo com reverência. Que o amanhã seja como o ontem — não por medo de mudar, mas por amor ao que já foi verdadeiro. E talvez essa escolha, tão silenciosa quanto radical, seja a única forma de resistir a um mundo que confunde velocidade com sentido.