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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Mudança de Cenário

Eu tenho a impressão de que a memória não ama a rotina. Ela ama a ruptura.

Os dias iguais se empilham sem deixar vestígios. Mas basta uma mudança mínima — um caminho diferente, uma cadeira trocada de lugar, uma conversa inesperada — para que aquele dia ganhe contorno. A memória, curiosamente, não registra o que se repete; ela registra o que desloca.

É por isso que lembramos com nitidez de viagens, despedidas, primeiros encontros, últimos encontros. E esquecemos semanas inteiras de normalidade. A memória tem essa tendência quase poética: fixar as diferenças, não as mesmices.

No cotidiano isso é evidente. Eu não lembro de todos os cafés que tomei, mas lembro daquele em que alguém disse algo que me mudou um pouco. Não lembro de todas as voltas para casa, mas lembro da que fiz em silêncio absoluto, como se estivesse atravessando outra pessoa.

A mudança de cenário não precisa ser geográfica. Às vezes é apenas interna. Um pensamento novo já é uma paisagem nova.

Heráclito diria que ninguém entra duas vezes no mesmo rio — mas a memória, ainda mais radical, escolhe lembrar só quando percebe que a água já não é a mesma. O que não muda, ela deixa escorrer.

Talvez por isso a gente se recorde mais dos conflitos do que das harmonias, mais das viradas do que das continuidades. Não porque o conflito seja maior, mas porque ele quebra o padrão. Ele cria relevo.

A mesmice constrói a vida.

A diferença constrói a lembrança.

E no fim, percebo algo curioso: não somos feitos daquilo que vivemos todos os dias, mas daquilo que, em algum momento, nos tirou do lugar.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Oportunidade de crescimento


Há dias em que a vida não pede licença. Ela empurra. Um atraso no ônibus, uma conversa atravessada, uma porta que se fecha sem aviso. Nessas horas, quase sempre chamamos o acontecimento de “problema”. É automático. Mas, se a gente segura o impulso de rotular e olha um pouco mais devagar, talvez perceba que muitos desses empurrões carregam outra coisa escondida: uma oportunidade de crescimento — não dessas que aparecem em livros de autoajuda, mas daquelas silenciosas, incômodas e profundamente humanas.

Crescer não é subir, é aprofundar

Costumamos imaginar crescimento como ascensão: ganhar mais, saber mais, ir mais longe. No cotidiano, porém, crescer quase sempre significa o contrário: descer um nível. Descer até o desconforto, até a dúvida, até aquilo que não controlamos.

Pense em alguém que recebe uma crítica no trabalho. A reação imediata é defensiva: justificar, rebater, fechar-se. Mas, se a pessoa sustenta o incômodo por alguns minutos a mais, algo diferente pode acontecer. A crítica deixa de ser um ataque e passa a funcionar como espelho. Nem tudo o que o espelho mostra é bonito, mas ele revela ângulos que o olhar direto não alcança. Crescer, aqui, não é concordar com tudo, mas aprender a ouvir sem desmoronar.

O cotidiano como laboratório filosófico

A vida diária é um grande laboratório de experiências éticas e existenciais. A fila do banco testa nossa paciência; o trânsito revela nossa relação com o tempo; o grupo de WhatsApp da família expõe nossos limites de tolerância e afeto.

Quando alguém “fura” a fila, por exemplo, não está em jogo apenas a ordem prática, mas uma pergunta silenciosa: o quanto minha tranquilidade depende do comportamento dos outros? A oportunidade de crescimento não está em fingir que nada aconteceu, mas em perceber como reagimos quando o mundo não se organiza de acordo com nossas expectativas.

Nesse sentido, o crescimento acontece menos quando o mundo melhora e mais quando nossa maneira de estar no mundo se torna mais lúcida.

Perder também educa

Existe uma pedagogia da perda que raramente valorizamos. Perder um emprego, um projeto, uma amizade ou até uma imagem idealizada de nós mesmos costuma ser vivido como fracasso. Mas, muitas vezes, é justamente aí que algo se reorganiza internamente.

No cotidiano, isso aparece quando alguém percebe que estava sustentando uma rotina apenas por hábito, não por sentido. A ruptura — dolorosa, claro — força a pergunta que havia sido adiada: o que, afinal, eu estou tentando manter? A oportunidade de crescimento não está na perda em si, mas no deslocamento que ela provoca. O chão que some obriga a pessoa a descobrir como se sustentar sem ele.

Crescer é mudar de pergunta

Talvez o ponto mais sutil do crescimento seja este: ele acontece quando trocamos a pergunta “por que isso aconteceu comigo?” por “o que isso está me pedindo?”. A primeira nos fixa na posição de vítima do acaso; a segunda nos devolve a responsabilidade pelo sentido.

Um erro cometido, uma decisão mal calculada, uma palavra dita fora de hora — tudo isso pode se tornar apenas culpa acumulada ou matéria-prima de discernimento. No cotidiano, amadurecer não é errar menos, mas aprender melhor com o erro.

A oportunidade que não se anuncia

O curioso é que as oportunidades de crescimento raramente se apresentam com esse nome. Elas chegam disfarçadas de cansaço, de frustração, de conflito pequeno demais para ser trágico e grande demais para ser ignorado. Quem espera grandes revelações perde o essencial: o crescimento quase sempre acontece em escala mínima, no ajuste fino do olhar, na correção de um gesto, na revisão silenciosa de uma atitude.

Talvez crescer seja isso: aprender a não desperdiçar aquilo que a vida insiste em nos ensinar, mesmo quando a lição vem sem moldura, sem aplauso e sem garantia de conforto. Afinal, não é o mundo que se torna mais fácil — somos nós que, aos poucos, nos tornamos mais capazes de habitá-lo.

sábado, 4 de outubro de 2025

Banalidades do Mundo

Situações do cotidiano e um olhar filosófico

Acordamos, tomamos café, pegamos o mesmo ônibus, ouvimos as mesmas piadas no trabalho, respondemos "tudo bem?" sem sequer pensar. A banalidade do mundo se revela não apenas nas repetições, mas também na anestesia que se instala sobre os dias. Tudo vai se tornando automático, como se a existência estivesse no modo piloto, e a vida deixasse de ser vivida para apenas... passar.

Essa banalidade não é ausência de acontecimentos. Pelo contrário: o mundo está cheio deles — notícias, conflitos, memes, brigas de trânsito, aniversários, boletos, séries novas. Mas, em meio a tanta coisa, muitas vezes sentimos que nada realmente nos toca. O excesso se transforma em indiferença. É como se a alma estivesse cheia demais para sentir.

Na fila do banco, no trem lotado, alguém diz "a vida é essa mesmo". No elevador, outro completa: "todo dia a mesma coisa". E no fundo da frase, há um peso, quase um lamento. Não é só rotina: é uma espécie de cansaço de estar no mundo. De se ver sempre em situações onde tudo parece previsível e vazio de sentido.

A filósofa Hannah Arendt falava da banalidade do mal ao analisar a obediência cega de Eichmann no regime nazista. Mas seu conceito nos alerta para algo maior: o perigo de deixar de pensar, de simplesmente seguir ordens, normas, costumes — mesmo que sejam banais. No fundo, ela nos convida a refletir sobre o quanto a banalidade do mundo também pode ser uma forma de crise: a crise de não questionar, de não agir, de não sentir.

Essa banalidade cotidiana pode esconder tanto uma zona de conforto quanto uma zona de alienação. Quando deixamos de perceber o que comemos, o que dizemos, quem somos, estamos empobrecendo a experiência. E a experiência é o que nos mantém humanos.

Mas há uma fresta. Um cachorro que cruza a rua de maneira engraçada, uma criança que canta no ônibus, uma árvore florida onde antes havia só concreto. Esses detalhes têm o poder de furar o véu da banalidade e nos lembrar que o mundo ainda pulsa. Que ainda estamos aqui, e que viver exige presença — mesmo nas coisas mais simples.

Talvez o antídoto para a banalidade do mundo esteja na atenção. Não uma atenção forçada, mas um olhar curioso, um espanto discreto, um interesse renovado. Como diz o poeta Manoel de Barros: "o mundo não foi feito em alfabeto, senão a gente podia saber o que ele diz". Ou seja: talvez ele diga mais do que imaginamos, mesmo quando parece banal.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Conflito e Congruência

Tensões que Afinam ou Rompem

Há uma crença comum de que a congruência é sempre desejável e que o conflito é sempre um problema. Mas, se olharmos mais de perto, veremos que um precisa do outro para ganhar sentido. Sem conflito, a congruência pode virar estagnação; sem congruência, o conflito se torna caos.

O filósofo brasileiro Roberto Mangabeira Unger, ao discutir mudança social, lembra que as estruturas mais férteis são aquelas que conseguem conter e trabalhar as contradições internas, transformando tensões em energia criativa. Isso vale tanto para sociedades quanto para pessoas: congruência não é ausência de diferença, mas capacidade de harmonizar diferenças.

No cotidiano, esse jogo é constante. Um casal pode viver em aparente paz, mas na verdade estar paralisado por medo de discutir — congruência de superfície que esconde conflitos latentes. Por outro lado, um time de trabalho pode discutir ideias acaloradamente e, ao fim, chegar a uma solução mais sólida — conflito produtivo que gera congruência real.

O problema é que tendemos a ver a congruência como um estado fixo e o conflito como um estado temporário a ser eliminado. Unger sugeriria o contrário: devemos tratar o conflito como parte integrante do movimento em direção a um alinhamento mais profundo. Isso implica aceitar que congruência não é linha reta, mas curva cheia de desvios.

Há conflitos que afinam, como as discussões artísticas entre músicos que buscam o mesmo tom; e há conflitos que rompem, como as disputas onde o objetivo deixa de ser a verdade e passa a ser vencer. Há congruências que libertam, quando conseguimos alinhar valores e ações; e há congruências que sufocam, quando nos moldamos demais para caber na forma do outro.

Talvez a sabedoria esteja em perguntar, diante de qualquer situação: este conflito está me aproximando de uma congruência mais viva ou me afastando dela? E esta congruência está me mantendo inteiro ou apenas calando as fraturas para que não apareçam?

No fim, viver é se mover nesse balanço delicado — saber quando afrouxar as cordas para evitar que arrebentem e quando tensioná-las para que a música realmente aconteça.


segunda-feira, 14 de abril de 2025

Escapismos e Conflitos

 

Outro dia, entrei num aplicativo de delivery só pra ver o cardápio — sem fome, sem intenção de pedir nada. Minutos depois, percebi que já estava há meia hora ali, entre imagens de hambúrgueres e promoções de sushi. Quando fechei o celular, senti uma estranha paz. Como se eu tivesse conseguido fugir de alguma coisa. Mas fugir de quê, exatamente? Do tédio? De um incômodo que eu não queria nomear? Ou de algum conflito interno que me esperava na curva do pensamento? Foi aí que comecei a pensar sobre o papel do escapismo na nossa vida — e como ele se mistura, se confunde e às vezes até alimenta os nossos próprios conflitos.

A natureza do escapismo

Escapar não é necessariamente um erro. É humano. Desde as cavernas, inventamos maneiras de esquecer a dor. Primeiro com histórias ao redor do fogo, depois com deuses, depois com novelas e redes sociais. Hoje, cada notificação é uma brecha para fora de nós mesmos. Escapar é criar atalhos mentais, anestesias rápidas para os choques da realidade.

Mas o que está por trás desse impulso? O filósofo francês Blaise Pascal dizia que “toda a infelicidade do homem se deve a uma única coisa: não saber ficar quieto num quarto.” Ele não estava falando de paz, mas de enfrentamento. Ficar sozinho, em silêncio, é quase como entrar em campo contra um adversário invisível — você mesmo.

O conflito como revelador

Todo escapismo nasce de um conflito, mas raramente o resolve. Às vezes, ele o posterga, às vezes o alimenta. A série que maratonamos para esquecer o vazio da segunda-feira talvez só o aprofunde. O vinho do sábado à noite, tomado para afastar a angústia da solidão, pode se transformar em um ritual que a eterniza. E é assim que o escape vira prisão.

No fundo, o conflito tem uma função reveladora. Ele nos mostra o que não queremos ver. Ele aponta rachaduras. Conflitos internos são como alarmes: barulhentos, incômodos, mas essenciais. É neles que moram as perguntas mais difíceis — e por isso mesmo mais importantes.

A ilusão do alívio

N. Sri Ram, pensador da tradição teosófica, dizia que "a mente está sempre em movimento, e esse movimento é, em grande parte, uma fuga da percepção verdadeira do que somos." Segundo ele, enquanto não cessarmos esse movimento de fuga, não encontraremos clareza. Isso significa que enquanto estivermos nos distraindo, estaremos nos afastando de uma percepção mais lúcida da vida — mesmo quando acreditamos estar “cuidando da saúde mental”.

O escapismo é, nesse sentido, uma ilusão de alívio. Ele parece proteger, mas nos fragiliza. Ele parece nos dar liberdade, mas nos aprisiona em ciclos de repetição. Quanto mais fugimos, mais nos perdemos.

O que fazer com isso?

Escapar é inevitável. Mas talvez o segredo esteja em saber de onde se escapa, para onde se escapa — e por quê. Às vezes, precisamos de uma pausa, sim. Um filme, uma viagem, um livro. Mas a pergunta fica: esse refúgio está me preparando para voltar mais inteiro? Ou está me afastando ainda mais do que preciso encarar?

O verdadeiro caminho talvez não seja nem fuga nem conflito direto, mas um meio-termo atento: perceber quando estamos escapando, e o que exatamente estamos evitando. Porque às vezes, no meio de uma fuga, podemos acabar tropeçando na verdade. E isso, sim, pode ser o começo de uma reconciliação interna.

No fim das contas, não se trata de eliminar o escapismo, mas de compreendê-lo como sintoma. E talvez, quem sabe, começar a escutar os conflitos com menos medo. Porque eles, mais do que obstáculos, são portas — incômodas, mas honestas — para aquilo que ainda não entendemos sobre nós mesmos.

 

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Em tempos de conflito a vida é uma verdadeira odisseia: Odisseu é contemporâneo.


Viver é um grande desafio, quantos de nós já tivemos a sensação de que a vida é uma jornada cheia de reviravoltas inesperadas, desafios hercúleos e momentos de triunfo? Ao longo da história, as pessoas têm comparado a vida a uma verdadeira "Odisseia" épica, cheia de aventuras e obstáculos que moldam nossa jornada pessoal, uns mais sofridos do que outros, mas cada um tem uma história para contar, cada um é um herói a sua maneira.

Assim como o lendário herói grego Odisseu navegou por mares tumultuados e enfrentou monstros mitológicos em busca de seu lar, nossa própria vida é uma saga de autodescoberta, resiliência e crescimento, a leitura desta obra me fez pensar nesta poderosa metáfora da "Odisseia", como ela se aplicaria às experiências humanas contemporâneas, assim como um Odisseu vou me transportar ao espírito do poema e fazer reflexões através das complexidades da vida, enquanto procurarei seguir os paralelos fascinantes entre a história de Odisseu e as nossas próprias aventuras diárias.

Muitas pessoas consideram a vida como uma verdadeira odisseia devido às inúmeras jornadas, desafios e experiências que enfrentam ao longo de suas vidas. Essa metáfora é frequentemente usada para descrever a complexidade e a imprevisibilidade da existência humana. Aqui estão algumas maneiras pelas quais a vida pode ser comparada a uma "Odisseia". A metáfora da "Odisseia" é frequentemente usada para destacar a complexidade e a riqueza das experiências humanas, e como a vida é uma jornada repleta de altos e baixos, triunfos e desafios. Cada pessoa pode se identificar de alguma forma com essa ideia de que a vida é uma verdadeira odisseia em constante evolução.

A "Odisseia" é um dos poemas épicos mais famosos da literatura grega antiga. Ela foi escrita por Homero, um poeta grego, e é uma das duas grandes obras atribuídas a ele, a outra sendo a "Ilíada". A "Odisseia" narra as aventuras do herói grego Odisseu (ou Ulisses, como é conhecido na mitologia romana) enquanto ele tenta retornar para casa após a Guerra de Troia, acredito que a maioria das pessoas teve algum tipo de contato com o poema, através de livros ou filmes.

A história começa com Odisseu preso na ilha de Ogiáglia, onde a deusa Calipso o mantém cativo. Odisseu anseia por voltar para sua casa, Ítaca, e sua esposa Penélope. Durante sua jornada de retorno, ele enfrenta inúmeras dificuldades e desafios, incluindo a ira dos deuses, monstros, feiticeiras e outros obstáculos. A "Odisseia" é conhecida por seu retrato vívido de personagens, sua rica mitologia, e suas reflexões sobre temas como a astúcia, a coragem, a lealdade e a perseverança. Ela também introduziu ao mundo a ideia do "ciclope", através da história do encontro de Odisseu com o ciclope Polifemo.

A obra é dividida em 24 cantos e é uma das mais importantes da literatura ocidental. Ela influenciou muitas outras obras literárias ao longo dos séculos e continua sendo estudada e apreciada até os dias atuais. A "Odisseia" de Homero continua sendo relevante para os dias atuais de várias maneiras, a obra é lida com questões universais e atemporais relacionadas à natureza humana, como a busca por identidade, a luta pela sobrevivência e a importância da família. Esses temas são igualmente relevantes hoje.

A história de Odisseu é uma jornada pessoal de superação, autodescoberta e crescimento. Nas sociedades contemporâneas, as pessoas ainda enfrentam desafios e passam por jornadas pessoais semelhantes em busca de seus objetivos e valores. Destacando a importância da resiliência e perseverança diante de adversidades. Essas são qualidades valorizadas em qualquer época, especialmente em momentos de dificuldade. Também aborda questões éticas e morais, muitas das quais permanecem relevantes. Ela coloca dilemas morais e éticos diante dos personagens, forçando-os a fazer escolhas difíceis, o que pode gerar reflexões sobre a moralidade em nossa própria sociedade.

A busca de Odisseu por casa é uma jornada cheia de aventuras e exploração. Essa busca pelo desconhecido e a exploração do mundo ao nosso redor continuam a ser temas relevantes na literatura, na cultura popular e nas aspirações individuais. Odisseu encontra uma variedade de culturas e civilizações em sua jornada. Isso reflete a importância da diversidade e do multiculturalismo na sociedade contemporânea, bem como as interações culturais e as questões de identidade.

A "Odisseia" é uma obra-prima da literatura que influenciou inúmeras outras obras ao longo dos séculos. Ela serve como um exemplo de narrativa épica, enriquecendo nossa compreensão da arte da contação de histórias. A jornada de Odisseu pode ser vista como uma metáfora para a vida moderna, com suas reviravoltas inesperadas, desafios imprevistos e a necessidade de adaptação e aprendizado constante. A obra permanece relevante hoje, pois trata de questões humanas universais e fornece insights sobre a condição humana que transcendem as fronteiras temporais e culturais. Ela serve como um testemunho da duradoura riqueza da literatura clássica e continua a inspirar e influenciar a arte, a literatura e a cultura contemporânea.

Ao longo dos tempos a metáfora esteve presente, assim como Odisseu em sua longa jornada de volta para casa, muitas pessoas enfrentam desafios significativos em suas carreiras e na educação. Por exemplo, um estudante universitário pode se sentir como se estivesse em uma jornada similar, passando por obstáculos acadêmicos, desafios financeiros e outros obstáculos, enquanto busca a graduação.

Em um mundo globalizado, as pessoas frequentemente viajam e enfrentam obstáculos semelhantes aos de Odisseu. Por exemplo, as experiências de um viajante que tenta voltar para casa após desafios em uma viagem podem ser comparadas às aventuras de Odisseu enquanto ele tenta retornar a Ítaca. Em um contexto mais pessoal, a "Odisseia" pode ser relacionada às experiências de pessoas que vivem longe de suas famílias devido a trabalho ou outras circunstâncias. O esforço contínuo para manter os laços familiares apesar da distância pode ser visto como uma jornada moderna paralela à de Odisseu.

A capacidade de Odisseu de se adaptar a situações desconhecidas e superar desafios é comparável à necessidade atual de as pessoas se adaptarem a mudanças súbitas, como as impostas pela pandemia de COVID-19. A resiliência e a adaptabilidade são habilidades valiosas em ambas as situações. Da mesma forma que os personagens da "Odisseia" enfrentam dilemas éticos, as pessoas no mundo moderno frequentemente se deparam com decisões morais difíceis. Por exemplo, um profissional da área de tecnologia pode enfrentar dilemas éticos ao lidar com questões de privacidade e segurança de dados.

À medida que a sociedade se torna mais diversificada, as questões de identidade cultural e multiculturalismo são cada vez mais relevantes. As experiências de Odisseu em diferentes terras e culturas podem ser relacionadas às experiências de pessoas que vivem em sociedades multiculturalmente diversas. A "Odisseia" continua sendo uma fonte de inspiração e reflexão sobre questões e desafios contemporâneos, servindo como um lembrete de que as experiências humanas fundamentais, representadas na obra, transcendem as barreiras do tempo e da cultura.

Agora vamos pensar na vida das pessoas que vivem em áreas de conflito militar frequentemente reflete uma jornada de sobrevivência e um esforço hercúleo para escapar dessas condições adversas, o que pode ser considerado uma "Odisseia" moderna. Muitos aspectos da experiência das pessoas em zonas de guerra se assemelham às provações enfrentadas por Odisseu na epopeia homérica. Pessoas que vivem em áreas de conflito frequentemente enfrentam a ameaça constante de violência e perigo. Assim como Odisseu busca a segurança e abrigo durante sua jornada, essas pessoas buscam refúgio em locais mais seguros, muitas vezes deixando suas casas para escapar do conflito.

Assim como Odisseu enfrenta obstáculos em sua jornada de retorno, as pessoas em zonas de conflito muitas vezes enfrentam barreiras físicas, como fronteiras fechadas, campos de refugiados superlotados e estradas perigosas, ao tentar deixar a área de conflito. A separação de familiares é uma realidade comum para aqueles que fogem de zonas de guerra, semelhante à separação prolongada de Odisseu de sua família. A incerteza sobre o destino dos entes queridos é uma fonte de angústia e sofrimento.

A resiliência, a coragem e a determinação são qualidades essenciais tanto para Odisseu quanto para aqueles que vivem em áreas de conflito. Eles enfrentam circunstâncias incrivelmente desafiadoras, mas continuam a lutar por um futuro mais seguro. Muitas vezes, o objetivo final dessas pessoas é encontrar um lugar onde possam reconstruir suas vidas, semelhante ao desejo de Odisseu de voltar a Ítaca e reunir-se com sua família. As histórias de sobrevivência e escape em zonas de conflito refletem as lutas humanas universais por segurança, esperança e dignidade em face da adversidade. A "Odisseia" de Homero serve como uma alegoria poderosa para essas experiências, destacando as lutas e os triunfos que ocorrem em situações extremamente difíceis. Por trás de cada rosto uma história de vida. Vivemos em tempos difíceis, estamos sendo submetidos a provas, precisamos estar atentos para não cedermos aos efeitos negativos dos conflitos. Fé, força, trabalho e coragem!

Fonte:

Homero. A Odisseia (Em forma narrativa). Trad. e Adap. Fernando C. de Araújo Gomes. Coleção Mestres Pensadores. Ed. Escala. São Paulo.