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terça-feira, 7 de outubro de 2025

Espelho Quebrado

Reflexos do Eu na Era das Telas

Há quem diga que o celular virou um espelho de bolso. Mas diferente daquele do banheiro, onde a gente se encara meio sonolento e sem filtro, esse novo espelho tem brilho, retoques e até música de fundo. Nele, a imagem aparece como queremos ser vistos — e não exatamente como somos. O problema é que, depois de tanto se olhar através desse espelho digital, muita gente já não sabe mais se está se mostrando ou se está se buscando.


Lacan chamava de “estádio do espelho” o momento em que o bebê, ainda descoordenado e fragmentado, se reconhece pela primeira vez em sua imagem refletida. Ele sorri, aponta, celebra — porque acredita ter encontrado ali uma unidade de si mesmo. Mas é uma unidade ilusória: a imagem é só uma projeção, não o corpo real. A partir daí, o sujeito passa a se construir através do olhar do outro, tentando ser aquilo que imagina ser visto.

Hoje, esse espelho se multiplicou em mil telas. Cada selfie é um pequeno estádio do espelho repetido: “sou eu ali?” — a pergunta que o bebê fez diante do reflexo agora ecoa no feed do Instagram. Só que o olhar do “outro” não é mais apenas o da mãe ou do cuidador: é o de centenas de seguidores, amigos e estranhos. Cada curtida confirma (ou nega) o reflexo que escolhemos mostrar. A identidade, que já era uma invenção instável, se torna um mosaico de olhares.

No cotidiano, isso aparece nas pequenas angústias: o adolescente que apaga uma foto por não ter recebido curtidas suficientes; o adulto que se sente menor ao ver a viagem perfeita do colega; a mãe que transforma o filho em conteúdo, buscando reconhecimento materno no olhar digital. Todos, de algum modo, estão diante do mesmo espelho que Lacan descreveu — só que agora ele é coletivo e global. A fragmentação do sujeito deixou de ser teórica e virou notificação.

O filósofo e psicanalista francês via nesse momento um ponto decisivo da formação do “eu”: a imagem externa organiza o caos interno. Mas se o espelho se quebra em mil pedaços, o reflexo também se dispersa. O sujeito contemporâneo, exposto a tantas versões de si, corre o risco de não se reconhecer mais em nenhuma. A unidade, que já era ficção, se dissolve em performance.

Talvez o desafio de hoje não seja “ser visto”, mas reaprender a se ver — com todas as imperfeições que o espelho sem filtro revela. Porque, como lembrava Lacan, o “eu” não é o que se mostra, mas o que se constrói entre o olhar e o desejo, entre o reflexo e o real. E quem sabe, um dia, a gente consiga olhar o espelho — seja ele de vidro ou de tela — e dizer: “sim, esse também sou eu, ainda que incompleto”.


quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Contemplação Catártica

Reflexões sobre ver, reconhecer e se libertar

Em meio ao barulho cotidiano, há um gesto antigo e revolucionário: contemplar. Mas nem toda contemplação é passiva. Existe uma forma de olhar que purifica, que destrava o que está entalado no peito — chamemo-la de contemplação catártica. É quando ver se torna uma experiência de libertação.

Diferente da mera observação estética ou da apreciação descomprometida do belo, a contemplação catártica é intensa, quase incômoda. Não se limita a quadros, paisagens ou sinfonias. Pode acontecer diante do rosto de alguém adormecido, de uma casa em ruínas ou de um silêncio que pesa. Nesse olhar, algo se move dentro de nós. E o que antes era represado se dissolve.

Aristóteles, na Poética, descreve a catarse como o processo pelo qual o espectador da tragédia se liberta das paixões por meio do medo e da piedade. Mas podemos ir além do palco. Em nossa vida ordinária, também assistimos a dramas reais. E há momentos em que ver — verdadeiramente ver — nos limpa por dentro. A contemplação catártica ocorre quando reconhecemos a dor do outro, a finitude das coisas, ou até mesmo nossa insignificância diante do tempo, e isso nos transforma. Sentimos tristeza, mas não ficamos presos nela; sentimos espanto, mas não fugimos. Saímos modificados.

Nas relações humanas, a contemplação catártica se manifesta no momento raro em que olhamos alguém sem o filtro do julgamento, do interesse ou da distração. É o instante em que enxergamos o outro como um ser ferido, complexo e igualmente vulnerável. Às vezes, basta ver um amigo chorar em silêncio ou notar a hesitação na fala de um parente para que algo em nós ceda. Contemplar, nesse caso, é acolher a presença do outro sem tentar consertá-lo, é permitir-se ser tocado pela verdade alheia. E isso nos liberta de papéis, máscaras e defesas, criando um espaço de conexão onde, por um segundo, somos profundamente humanos juntos.

O filósofo contemporâneo Byung-Chul Han, em A Salvação do Belo, aponta que na sociedade atual a estética foi domesticada e anestesiada. O belo perdeu sua capacidade de ferir, de comover, de exigir algo de nós. A contemplação virou consumo rápido. No entanto, Han também sugere que o verdadeiro belo ainda pode nos desestabilizar. A contemplação catártica resgata esse poder: ver algo com tal profundidade que nos obriga a sair de nós mesmos — e, assim, nos reencontrar.

Não se trata de procurar grandes espetáculos. A catarse pode nascer ao assistir a queda de uma folha, ao ouvir alguém contar sua história sem interromper. Trata-se de sustentar o olhar, deixar-se afetar, deixar cair as defesas. Nesse sentido, contemplar é um ato de coragem e de abertura ao que excede o eu.

Em tempos de aceleração e distração, a contemplação catártica é uma forma de resistência. É quando não nos contentamos com o que salta aos olhos, mas permitimos que o mundo nos toque de maneira profunda — e, por isso mesmo, nos purifique. Ela não nos salva do sofrimento, mas nos devolve à inteireza de quem sente, compreende e atravessa.

terça-feira, 28 de maio de 2024

Através dos Olhos

Vamos falar sobre algo que todos nós enfrentamos diariamente, mas nem sempre paramos para realmente considerar: a arte da empatia, ou como eu gosto de chamar, "ver através dos olhos" dos outros.

Quantas vezes já nos vimos em situações em que não entendemos as reações ou ações de alguém? Talvez tenhamos julgado rapidamente ou simplesmente não tenhamos nos colocado no lugar deles. Mas e se déssemos um passo para trás, ajustássemos nossas lentes e tentássemos ver o mundo a partir da perspectiva deles?

Vamos começar com algo simples. Você está na fila do supermercado e a pessoa na sua frente está demorando muito para fazer o pagamento. A primeira reação pode ser impaciência, mas e se olharmos através dos olhos dela? Talvez ela esteja usando cupons para economizar dinheiro, ou talvez seja a primeira vez dela fazendo compras sozinha. De repente, a situação muda completamente.

E o colega de trabalho que sempre parece irritado? Em vez de rotulá-lo como mal-humorado, que tal considerar o que ele pode estar enfrentando em casa ou no trabalho? Um pouco de empatia pode abrir portas para uma comunicação mais significativa e relações mais sólidas.

E não podemos esquecer aqueles momentos em que nos sentimos incompreendidos. Você já expressou uma opinião e foi completamente mal interpretado? Isso acontece com mais frequência do que gostaríamos de admitir. Às vezes, é porque os outros não estão vendo a situação através dos nossos olhos, não entendem nossas experiências ou perspectivas.

Já me perguntei se as pessoas preconceituosas não enxergassem a cor da pele se o preconceito ainda estaria presente. Depois de muitas reflexões percebi que essa é uma questão profunda e complexa. O preconceito pode se manifestar de várias formas, não apenas com base na cor da pele, mas também em características como gênero, religião, orientação sexual, classe social e muito mais. No entanto, é verdade que a cor da pele historicamente tem sido um dos principais fatores para o preconceito e a discriminação em muitas sociedades.

Um caso à parte para refletirmos

Se os olhos não vissem a cor da pele, isso certamente eliminaria uma das formas mais visíveis e imediatamente identificáveis de diferença entre as pessoas. Pode reduzir alguns tipos de preconceito, mas o preconceito é profundamente enraizado em sistemas sociais, culturais e históricos. Mesmo que a cor da pele não fosse visível, outras características ou identidades poderiam se tornar alvos de preconceito.

Além disso, o preconceito não se limita apenas à percepção visual. Ele pode ser influenciado por fatores como educação, mídia, experiências pessoais e estruturas de poder. Portanto, mesmo que a cor da pele não fosse um fator, outras formas de preconceito ainda poderiam persistir.

É importante notar que a promoção da igualdade e da diversidade e a educação sobre a importância da aceitação e do respeito mútuo são passos fundamentais para reduzir o preconceito em todas as suas formas. A mudança de mentalidade, a empatia e a construção de sociedades mais inclusivas exigem esforços contínuos em múltiplos níveis, desde o indivíduo até as políticas governamentais e as estruturas sociais.

Então, vamos retornar ao que iniciamos refletindo, como podemos praticar essa arte da empatia no nosso dia a dia? Primeiro, é importante estar consciente dos nossos próprios preconceitos e julgamentos. Em seguida, podemos fazer um esforço consciente para nos colocar no lugar dos outros, imaginando suas experiências, desafios e sentimentos. Isso não apenas nos torna pessoas mais compreensivas, mas também fortalece nossas relações e constrói comunidades mais unidas.

Então, quando você se encontrar diante de uma situação que o deixe confuso, irritado ou frustrado, tente dar um passo para trás e ver através dos olhos da outra pessoa. Você pode se surpreender com o que descobrirá. Afinal, a empatia é a chave para um mundo mais compassivo e conectado.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

O Que Eu Vejo

"Eu falo apenas o que vejo"? A frase é mais profunda do que parece! É tipo dar um rolê no nosso jeitão de enxergar o mundo. Vamos nos imaginar jogando na mesa o que estamos realmente vendo, sem máscaras ou filtros. É meio como ser o narrador de nossa própria história, mas no modo mais sincero possível.

Sabemos que cada um de nós tem uma lente de percepção única. Nossa vida, bagagem e vivências moldam a forma como vemos as coisas. Por isso, quando alguém diz "Eu falo apenas o que vejo", é tipo um lembrete de que nossas palavras estão conectadas diretamente àquilo que enxergamos e como interpretamos o que rola ao nosso redor.

O interessante é que o que a gente vê também é resultado de um monto de coisas, não é só o que nossos olhos captam. Tem emoções, experiências passadas, preconceitos (que a gente tem que ficar de olho e desconstruir), e por aí vai. Essa frase também é sobre ter consciência do que está por trás daquilo que comunicamos, porque é mais complexo do que simplesmente mandar a real.

O tema imediatamente nos faz lembrar de nosso sincerão, o filósofo Nietzsche, ele tratou deste tema de maneira interessante, ele abordou que a perspectiva e a subjetividade na percepção da realidade. Ele argumentou que nossa visão do mundo é influenciada por nossa perspectiva individual, experiências e valores, e que não existe uma "verdade objetiva" única, mas várias perspectivas que compõem a realidade.

Por que citei Nietzsche? Porque lembrei que ao ler a obra de Friedrich Nietzsche imediatamente relacionei ao tema "Eu Falo Apenas o que Vejo" e que aborda a percepção, a verdade e a subjetividade é "Assim Falava Zaratustra" (também conhecida como "Assim Falava Zaratustra: Um Livro para Todos e para Ninguém"). Publicada entre 1883 e 1885, esta obra é uma das mais conhecidas e influentes de Nietzsche.

"Assim Falava Zaratustra" apresenta ideias sobre a natureza da verdade, a perspectiva individual e a subjetividade na interpretação da realidade. Zaratustra, o protagonista, expressa suas visões sobre a existência humana e convida os indivíduos a explorar suas próprias percepções, questionando a verdade convencional e as interpretações estabelecidas.

Nietzsche utiliza a metáfora do "Übermensch" (Sobre-Humano) e a ideia de "vontade de potência" para enfatizar a importância da perspectiva individual na busca da verdade. Ele argumenta que nossa visão do mundo é influenciada por nossas experiências e valores pessoais, e que cada pessoa precisa desenvolver sua própria compreensão da existência.

Essa obra destaca a necessidade de questionar as verdades preestabelecidas, desafiar convenções sociais e culturais e explorar a subjetividade na busca da verdade. Esses conceitos estão alinhados com a ideia de "Eu Falo Apenas o que Vejo", pois reconhecem que nossa comunicação e percepção do mundo estão enraizadas em nossa perspectiva individual e subjetiva.

Construindo uma reflexão sobre a frase "Eu digo apenas o que eu vejo"?

O que podemos construir como reflexão sobre a frase "Eu digo apenas o que eu vejo"? Ela ressoa com a ideia de que nossa compreensão do mundo está intrinsecamente ligada àquilo que percebemos e experienciamos, no entanto, essa aparente simplicidade esconde uma complexidade subjacente que merece ser explorada. A percepção vai além da visão física e abrange uma ampla gama de fatores, como experiências passadas, crenças, emoções e até mesmo nossa própria interpretação subjetiva.

A Natureza Multifacetada da Percepção

A percepção é um fenômeno intrincado que vai além do simples ato de enxergar. Envolve a interpretação e a atribuição de significado ao que vemos, ouvimos, cheiramos, saboreamos e sentimos ao tocar. Nossos sentidos servem como portais para o mundo exterior, mas a forma como processamos e compreendemos essas informações é profundamente influenciada por nossas experiências, valores e contexto cultural.

Cada pessoa possui uma perspectiva única do mundo, moldada por suas vivências ao longo da vida. As nossas experiências anteriores influenciam a forma como interpretamos novas situações e informações. Portanto, ao dizer "Eu digo apenas o que eu vejo", estamos reconhecendo a nossa limitação em comunicar apenas aquilo que percebemos com base nas nossas próprias experiências e entendimento do mundo.

A Importância da Interpretação

Nossa interpretação do que vemos é moldada por uma interação complexa entre os nossos sentidos e o nosso cérebro. O cérebro processa as informações sensoriais e as contextualiza com base no nosso conhecimento acumulado. Isso pode levar a interpretações diferentes da mesma observação, dependendo das experiências e bagagem de vida de cada indivíduo.

Vamos nos imaginar olhando para uma pintura abstrata. Duas pessoas podem ver a mesma obra de arte, mas interpretá-la de maneiras completamente distintas. Para um, pode evocar sentimentos de alegria e liberdade; para outro, pode trazer sentimentos de melancolia e confusão. Ambas as interpretações são válidas, pois refletem a subjetividade inerente à percepção humana.

A Influência das Crenças e Experiências Pessoais

Nossas crenças, valores e experiências moldam e filtram o que percebemos. Por exemplo, alguém com uma visão otimista da vida pode interpretar uma situação desafiadora como uma oportunidade de crescimento, enquanto outra pessoa com uma visão mais pessimista pode vê-la como um obstáculo insuperável.

Essas crenças e experiências moldam nossa forma de se comunicar e interagir com os outros. Se dizemos apenas o que vemos, é importante lembrar que o que vemos é profundamente influenciado por quem somos e pelo que vivemos.

A Importância da Empatia e do Diálogo

Dado que a nossa percepção é única e moldada por nossas experiências individuais, é fundamental cultivar a empatia e o diálogo aberto com os outros. Isso nos permite compreender as diferentes perspectivas e interpretar as ações e palavras dos outros com uma mente aberta e tolerante.

Ao reconhecer que cada pessoa vê o mundo de maneira única, podemos criar um ambiente onde as diferenças são celebradas e a compreensão mútua é valorizada. Em um mundo onde a diversidade de perspectivas é enriquecedora, é fundamental abraçar a ideia de que nossas palavras refletem nossas próprias interpretações do que percebemos.

"Dizer apenas o que vemos" é uma afirmação que ressalta a importância de reconhecer a subjetividade inerente à nossa percepção do mundo. A maneira como percebemos as coisas é moldada por uma série de fatores, incluindo nossas experiências passadas, crenças, emoções e contexto cultural. Compreender essa complexidade nos leva a abraçar a diversidade de perspectivas e a praticar a empatia e o diálogo aberto em nossas interações diárias. Ao fazer isso, podemos construir pontes e promover um mundo onde a compreensão e a aceitação mútua prosperam.

A ideia de "Eu Falo Apenas o que Vejo" pode ser relacionada a muitos aspectos da sociedade atual, especialmente considerando a disseminação de informações, a polarização nas redes sociais e a valorização da subjetividade. Com a proliferação de mídias sociais e fontes de informação, cada pessoa tem sua própria interpretação dos eventos atuais. O que vemos nas notícias é filtrado pela nossa perspectiva individual, crenças e experiências. Isso influencia como comunicamos e interpretamos os acontecimentos.

Vivemos em uma era onde a verdade é muitas vezes questionada e percebida de maneiras diferentes por diferentes grupos. A ideia de que "Eu Falo Apenas o que Vejo" ressalta a dificuldade de alcançar uma verdade objetiva, pois nossas percepções são moldadas por nossa própria subjetividade.

A expressão incentiva a honestidade e a autenticidade em nossas opiniões. É uma chamada para um diálogo mais construtivo, onde cada indivíduo pode expressar suas visões com sinceridade, promovendo um entendimento mais profundo e aceitação das diferenças. Em uma época de julgamentos rápidos e cancelamentos, a reflexão sobre "Eu Falo Apenas o que Vejo" pode nos lembrar da importância de entender o contexto e considerar diferentes perspectivas antes de fazer julgamentos precipitados baseados apenas na aparência ou nas primeiras impressões.

A sociedade moderna valoriza cada vez mais a voz individual e a diversidade de experiências. A afirmação "Eu Falo Apenas o que Vejo" reforça a importância de cada pessoa compartilhar sua perspectiva única e contribuir para a riqueza da nossa compreensão coletiva. Esses pontos ilustram como a ideia é altamente relevante no contexto atual, onde a subjetividade, a diversidade de perspectivas e a valorização da honestidade na expressão são fundamentais para um diálogo e compreensão significativos.

Fonte:

Nietzsche, Friedrich Wilhelm. Assim Falava Zaratrusta: Um livro para todos e para ninguém. Tradução por Ciro Mioranza. Ed. Escala 2ª Ed. Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal - I

domingo, 2 de outubro de 2011

Educação para inglês ver – Parte 2


 
Formação do professor

 
Formação do professor

Haddad anuncia que serão gratuitos os mestrados e doutorados em educação
Sexta-feira, 30 de setembro de 2011 - 17:41

Cursos de pós-graduação, mestrados e doutorados em educação, mesmo em instituições privadas, serão gratuitos. O anúncio foi feito pelo ministro Fernando Haddad, na tarde desta sexta-feira, 30, durante o 7º. Congresso Inclusão: Desafio Contemporâneo para a Educação Infantil, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Unidades de Educação Infantil da Rede Direta e Autárquica do Município de São Paulo (Sedin).
Haddad explicou que deve assinar nos próximos dias uma portaria que dará a esses cursos o mesmo mecanismo do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). Os professores que decidirem fazer o curso e trabalharem nas redes públicas terão a dívida saldada automaticamente.
O ministro da Educação admitiu que trabalha com dificuldade em um modelo de avaliação para a educação infantil. “Faço um desafio para vocês. Me mostrem os casos de sucesso e de eficiência para que possamos tabular esses valores.”
Haddad creditou ao presidente Lula a inclusão da educação infantil no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), além do fornecimento de merenda, transporte escolar, biblioteca e livro didático. “O que mais me impressionou quando eu cheguei ao Ministério da Educação foi a constatação de que não só não havia mecanismos de financiamento, como não se dava importância a um ciclo tão importante da formação da criança.”
O ministro lembrou da emenda constitucional que tornou obrigatória a educação dos quatro aos 17 anos e qualificou o Programa de Reestruturação da Rede Escolar Pública (ProInfância) como o maior programa de expansão da rede física educacional. “A presidenta Dilma conveniou 4 mil creches e destinou recursos para 6.400 creches em todo o pais, 172 apenas na cidade de São Paulo. Além disso, o Ministério da Educação vai se responsabilizar pelo primeiro ano de custeio antes do censo” – concluiu.
Assessoria de Comunicação Social



Conta-se que Sócrates, ouvindo Platão ler seu Lysis, disse: “Por Héracles! Como esse jovem me faz dizer coisas que eu nunca disse!”
DIÓGENES LAÉRCIO, Vida e doutrinas dos filósofos ilustres


Há bastante tempo, é aguardada a noticia e finalmente chegou, é uma noticia para os professores da rede publica, o Ministro Haddad promete financiar pós graduação stricto sensu, cursos de mestrado e doutorado, para os professores da rede pública de ensino, resta esperar agora, que as universidade e faculdades ofereçam os cursos, e melhor, que a promessa se cumpra.
Uma pergunta ficou me martelando a cachola, sabe aquela questão que fica sem resposta?, pois é, estava pensando no estudante pobre e trabalhador, lembrei de uma frase do economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) "Os brasileiros pobres que estudam e trabalham são verdadeiros heróis. Submetem-se a uma jornada de até 16 horas diárias, oito de trabalho, quatro de estudo e outras quatro de deslocamento. Isso é mais do que os operários no século XIX.", ora, se entre dez brasileiros um é analfabeto, aquele trabalhador que buscar sua alfabetização e quiser ir mais alem, devera procurar conciliar o estudo com o tempo livre (que tempo livre?) para estudar. E, agora deverá se complicar um pouco mais, com o aumento do número de dias letivos, de 200 para 220 dias por ano, ou a ampliação da jornada diária para cinco horas ampliação da jornada diária. E ai? Tudo indica que, ficara ainda mais complicada a vida do estudante trabalhador.
E o problema não fica por ai, vejam a opinião de Marlei Fernandes de Carvalho:

Hipocrisia no aumento da carga horária anual, leiam!

Publicado em por Janeslei
de Marlei Fernandes de Carvalho, el jueves, 05 de mayo de 2011 a las 22:56
Para a Presidente da APP-Sindicato, professora Marlei Fernandes de Carvalho o projeto de lei que aumenta a carga horária anual de 800 para 960 horas dentro dos 200 dias letivos é um total desencontro histórico. Primeiro que está completamente na contramão da construção coletiva da CONAE e do Plano nacional de Educação. Segundo que a proposta histórica de educação integral não passa somente pelo aumento exíguo de 48 minutos diários e sim para uma jornada única de 7 horas. Terceiro que é um projeto completamente isolado, sem uma proposta pedagógica e sem consideração com elementos centrais da qualidade da educação: relação professor-número de aluno, jornada em uma única escola, aplicação do Piso com dedicação exclusiva, hoa-atividade, formação  continuada.
Não é a toa que a proposta vem de um senador suplente e que tem uma íntima relação com a educação privada. Muito provavelmente também não participou dos debates coletivos e democráticos. Pior ainda é o silêncio de todos os outros senadores. O projeto foi aprovado na Comissão de educação do Senado e segue para a Câmara dos Deputados. Precisamos agir e urgente!!


Um bom domingo a todos!

"As pesquisas não mudam a realidade. Quem muda a realidade é o homem. Agora, as pesquisas, as teorias mudam o homem. Se mudarem o homem, ele muda a realidade. Nada nos impede de fazer isso, a não ser o medo, o medo de ousar."